» ENTREVISTA: BREAKNECK «

Realizada por: Cezar Augusto
Respondida por:
Leonardo

Breakneck

A/c Leonardo
R. João Batista de Barros, 585 - Guaxupé/MG Cep: 37.800-000 breakneck@ig.com.br

TGZ: Saudações camarada! Vamos lá: A formação se deu com a junção de outras duas bandas locais, como estas se chamavam e por que essa decisão para solidificar em uma?

Leonardo:
Ave Cezar! Antes de tudo queria agradecer essa oportunidade do TGZ e o grande apoio que vêm nos dando. Sinceramente eu nem lembro quais eram os nomes das bandas. Eu tocava em uma dessas e acabei saindo porque descobri que tava com tendinite no pé esquerdo, aí tinha que parar de tocar por um tempo pra ver se passava, fiquei quase dois meses longe da bateria. Nisso essa banda que eu tava acabou e a outra acabou porque o guitarrista ia mudar de cidade. Aí os caras das duas resolveram montar outra e como tinha gente que participava das duas ficou mais fácil. Eu não era baterista no começo, mas depois de um mês acabei entrando no lugar do outro. Resumindo foi mais ou menos isso.

TGZ: Putz! E vocês por ser do “interiorzão” de MG, cidade de Guaxupé, fez com que se tornasse mais difícil essa meta de formação metalizada?

Leonardo:
Foi bem difícil, porque aqui não tem muita gente que ouve metal, menos ainda que toca e participa da cena ativamente. O nosso antigo baixista, por exemplo, tinha "hardcore" tatuado nas costas, nada contra, mas o que ele gostava mesmo não era metal e tava com a gente porque não tinhamos muitas opções. Nós eramos um quinteto no começo, e quanto mais gente mais briga dá, então até chegar no trio de hoje tivemos que limar os outros integrantes pra encontrar a melhor formação.

TGZ: E detalhe que a banda ainda nem tinha nome, após formar-se, estando a tocar covers e a iniciar a compôr músicas próprias. Enfim, por que o nome dado então fora Breakneck?

Leonardo:
A gente não achava um nome legal pra banda, até que veio Breakneck. Eu tirei do refrão da "Freewheel Burning" do Judas Priest. A tradução literal de Breakneck seria algo como quebra-pescoço ou quebrar pescoço, uma coisa assim. Mas na verdade é uma expressão de algo arriscado... na música do Judas tá como "breakneck speed", o que seria uma velocidade muito alta, perigosa e por aí vai... Mas o que vale é quem ler ver que estamos aí pra quebrar pescoços mesmo, heheheh

TGZ: Hehe...No decorrer da instabilidade de permanência de alguns membros, aconteceu um fato inesperado: O Guitarrista Zezinho sofreu um acidente automobilístico que afetou seus nervos da mão esquerda, impedindo-o de tocar por um tempo e a banda ficou parada até o começo de 2004. Por curiosidade: Como foi esse acidente?

Leonardo: Esse acidente foi um azar do caralho... Tava um amigo nosso dirigindo, tavam descendo uma avenida bem rápido, aí tinha uma curva fechada e o carro foi em cheio num poste, deixou dois bairros da cidade sem luz, heheh... O Zezinho que tava atrás voou pro vidro da frente, ficou a forma dele no vidro e ele fez uns cortes na cabeça e o braço esquerdo fudeu tudo. A ex-namorada dele cortou o queixo, o motorista quebrou a clavícula, outro levou uns cortes no rosto e outro ficou chorando pelo relógio quebrado. O carro deu perda total e ninguém sabe como saiu todo mundo vivo.

TGZ: E quando a mão dele começou a melhorar, ele tocou só com dois dedos por um tempo, até que depois de quatro cirurgias e alguns pinos no cotovelo ele conseguiu recuperar seus movimentos. Que garra do cara, hein? Esta atitude contagiou de alguma forma no clima para vocês superarem ainda mais as barreiras, enfim ?

Leonardo:
Quando a gente ficou sabendo que ele não podia tocar foi desanimador, mas ele falou pra gente continuar como tava. Tentamos mas não deu muito certo, aí ele tava conseguindo tocar nossas músicas com os dois dedos q estavam funcionando e saia mais ou menos, isso já no fim de 2003 começo de 2004, até que ele fez uma cirurgia de reconstrução de nervos, daí passou um tempo e de repente todos dedos tavam funcionando. Porém o médico falou que ele ia conseguir no máximo 80% dos movimentos de antes, mas o que ele tá fazendo tá na gravação da demo e espero que ainda vá melhorar mais. Quando a gente vê que as coisas deram certo apesar de tudo não dá vontade de desistir, mas de continuar e cada vez mais forte!

TGZ: Bom, em janeiro de 2005, a banda entrou em estúdio para gravar três músicas: Breakneck, Scream of Death e Diary of a Murderer. Daí quais os problemas ocorridos para o lançamento do Cd-Demo com estas faixas ter sido lançado apenas em Julho?

Leonardo:
Os maiores problemas foram em relação à parte financeira e também porque a gente não sabia como lançar a demo... Se a lançava com capa, encarte e essas coisas todas, ou até como um EP independente, até que por fim saiu do jeito que está, com o cd dentro de uma capinha de papel, papelão, não sei como chama esse material... Também queriamos por uma foto no encarte mas não teve jeito no fim, isso também atrasou um pouco.. O desenho foi feito por um amigo nosso, que faz umas coisas bem loucas e não gastamos nada com isso. O maior problema foi grana mesmo, mas do jeito que saiu foi mais barato e também possibilita a gente vender o cd mais barato, porque a gravação pelo menos ficou de qualidade. O que demorou também foi que cada integrante da banda tava morando em uma cidade na época, então pra tomar decisões que satisfizessem a todos demorou um pouco mais que o normal.

TGZ: Por que deixar esse material homônimo à banda?

Leonardo: Nós íamos por o nome de uma outra música, "Storm", que também íamos gravar mas não deu. Acabou que nem pensamos em outro título e ficou só o Breakneck mesmo.

TGZ: E os títulos das faixas são matadores, poderia descrever do que se trata a letra de cada uma delas?

Leonardo:
Bom, as letras não são minhas, mas vou tentar descrever. A letra de "Breakneck" pode se dizer que trata em parte da proposta da banda que é a de tocar Metal e bangear até morrer e também de extravasar o ódio através da música. "Scream of Death" fala dos últimos momentos de vida de um certo indivíduo. Ele pode fazer o que quiser mas a morte já deixou avisado que vai encontrá-lo, não adianta esconder, correr, gritar e muito menos rezar que já era. A "Diary of a Murderer" é, como o título diz, o diário de um assassino. Ele acaba matando por causa do ódio e isso gera alguns pesadelos e uma certa tristeza também. A ilustração da capa foi inspirada nessa música e o solo do final da música representa o arrependimento do assassino, mas quem sabe um dia ele não volta a matar?

TGZ: A banda tem pouca divulgação até agora, mas está investindo para propagar o seu Thrash em vários meios da cena, é claro. Por onde o material foi divulgado até então?

Leonardo:
Até agora a divulgação foi praticamente nula, infelizmente... Mas foi por causa de tempo, agora tamos correndo atrás do prejuízo. Um dos pouquíssimos lugares que foi divulgado foi no TGZ.

TGZ: Vocês entraram na Coletânea ThunderGod Vol. II na expectativa de ampliar seus horizontes de difusão. Qual a sua opinião sobre a impot~encia das coletâneas?

Leonardo:
Porra, coletâneas acho que são um dos maiores meios de divulgação do underground. Um zine já é uma grande divulgação, mas se junto com um zine ainda tiver uma coisa pro cara ouvir as bandas é ainda melhor. Ajuda pra quem não conhece as bandas e também quem não tem como arrumar várias demos pelo menos vai conhecer uma música das bandas da coletânea, vai ter uma idéia do som né.

TGZ: A Breakneck apresenta um Thrash vigoroso com influências calcadas nos anos 80 e 90, já botando pra fuder logo nesta 1ª Demo. Vocês ficaram satisfeitos com o resultado final deste 1° registro?

Leonardo:
Fiquei bastante satisfeito com o resultado! Nossa idéia era de gravar mais músicas quando entramos em estúdio, mas por grana e tempo acabou não dando certo. Já me disseram que a qualidade tá até melhor que de alguns álbuns, fico muito feliz por isso. Quisemos fazer um trabalho profissional e saiu o mais perto possível disso. Foi a primeira vez que entramos em estúdio e ninguém tinha experiência nenhuma, hoje valeu como uma experiência muito grande e que nos fez crescer muito. Pra época que a gente gravou ficou muito bom o resultado, mas se fosse hoje, depois dessa experiência que nós tivemos ainda sairia melhor!

TGZ: Ah, qual o seu parecer sobre o Thrash Metal das décadas acima citadas?

Leonardo:
Putz, não tem nem o que falar do Thrash 80! O que as bandas como Slayer, Sepultura, Sodom, Destruction, Sabbat, Death Angel, Coroner, pra citar algumas, fizeram? -Um puta som, todos considerados thrash mas cada banda com sua identidade. Fizeram o que há de melhor no Metal... Já da década de 90 não curto muito o que teve. Várias bandas de thrash mudaram completamente o som, não sei qual foi a influência dos anos 90 nesse povo que fez isso. E o thrash moderno não me chama nem um pouco a atenção, tipo The Haunted, nem sei nomear muitas bandas. Felizmente aqui no Brasil temos várias bandas tocando thrash oitentista, tipo Bywar, Flashover, Violator. Bandas fodas que me fazem querer ter vivido nos anos 80, heheh. Na minha opinião a década de 90 foi a década do death metal, mas o thrash ficou meio esquecido.

TGZ: Aproveitando o ensejo, qual a sua opinião também sobre bandas que modernizam o Thrash com influências estranhas/eletrônicas (ou sei lá como dizer) que as deixam como a mídia chama de “new metal”?

Leonardo:
Eu acho uma merda. Não tenho nada contra quem gosta ou curte, mas pra mim é muito ruim. O pior é que essas bandas já tem uma exposição gigantesca na mídia em geral e algumas revistas especializadas em metal ainda colocam essas bandas lá. Isso só tira espaço das bandas de metal verdadeiras, foda isso. E sempre que eu tô andando na rua e vejo alguém com uma camiseta dessas bandinhas, me bate um desejo de dar umas porradas na pessoa, não sei por que, mas sempre fiquei na minha, hehe. Cada um ouve o que quiser.

TGZ: Huum... Sonhos e metas da Breakneck, diz aí.

Leonardo:
Um sonho acho que seria fazer uma tour gigantesca, no Brasil inteiro e também no exterior, lançar vários álbuns, vamos sonhando até acontecer alguma coisa. Metas por enquanto é a de fazer mais shows, tocar bastante, e arrumar um jeito de gravar outras músicas nossas e que seje ouvida pelo maior número possível de headbangers.

TGZ: É isto, valeu pela confiança que vem dando ao TGZ, desejamos sinceramente longa vida na jornada de vocês, todos os humildes e espontâneos para com o sentimento Metal merecem essas estimas verdadeiras...Abraço por trás (hehe) e até mais Leonardo & Cia !

Leonardo:
Valeu pelo apoio do TGZ e que mais iniciativas como essa aconteçam no futuro, vida longa! Agora esse negócio de abraço por trás é embassado hein, hehehe. Fico só no abraço mesmo! Até a próxima!


 
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