» ENTREVISTA: ETERNAL DEVASTATION «

- Por : Cezar Augusto-
- Respostas : Sérgio Sandoval (bateria) -
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laughterhouse, este é o nome do Debut Album que acaba de sair dos goianos da Eternal Devastation, e na capinha há até mesmo um tipo de “mascote” tal como um açougueiro e eles explicam: “Pra gente não tem nada mais importante na sonoridade do que a agressividade, e nada melhor pra representar isso que um matadouro, com muito sangue e violência e uma dose cavalar de cerveja não é?”
– Para entrar na “Casa do Massacre” e ficar realmente por dentro das idéias thrashers desses maníacos, eis a safada oportunidade agora !

TGZ: Saudações!!! A banda foi formada em 2002 na capital goiana sob o nome de Devastation, mas posteriormente resolveram trocar para Eternal Devastation. No caso vocês descobriram haver bandas com o antigo nome, como foram as descobertas e ainda se lembram de onde eram as bandas?

Sérgio:
E ae galera do Thundergod! Desde já agradecemos o espaço cedido! Bom, quanto ao nome realmente Eternal Devastation, realmente não foi nossa primeira opção não, mas tinham outras bandas com o mesmo nome – se não me engano uma era do Pará – aí pra não dar problemas acrescentamos o Eternal.

TGZ: Aliás, Eternal Devastation é um nome bem sugestivo que remete a um clássico do Destruction, hein? Hehe

Sérgio: Ih, essa é a pergunta que todo mundo faz e duvida da resposta! Na verdade nem pensamos na hora em remeter o nome da banda ao álbum do Destruction (juro!), mas no final das contas acabou favorecendo, pois o álbum é foda né!

TGZ: Em 2003 vocês realizaram vários shows ao lado de bandas mais antigas que vocês...Enfatizariam algum(ns) show(s) em especial? Por quê?

Sérgio:
Pô, tiveram uns shows foda em 2003, destacamos o DeathTrash Assault que tocamos ao lado do CorpseGrinder, Imperial Devastation, Torture Squad e muitas bandas foda. Na época ainda éramos moleques (ainda somos, só que agora mais bêbados) e fãs dessas bandas que já faziam história do underground nacional. Sem dúvida foi um show que representou muito pra gente!

TGZ: Já 2004 foi o ano do primeiro registro da banda, a Demo "Beware the Doom". Como foi a divulgação e repercussão crítica desse material demonstrativo?

Sérgio:
Se tivéssemos escolhido o resultado dessa demo não chegaria nem aos pés do que ela alcançou. Foi uma divulgação fudida, somos muito agradecidos à "Two Beers Or Not Two Beers Recs" e ao safado do "Segundo" pelo excelente trabalho. Foi uma gravação totalmente crua, não tínhamos nenhuma noção de gravação, estúdio, timbragem (hoje continua a mesma porcaria, mas a gente fuça mais hehe), mas que foi importante pra caralho na divulgação – isso serve de exemplo, grava a demo sem frescuras mesmo galera, a qualidade é importante, mas a sonoridade causa mais impacto que qualquer coisa!

TGZ: Vocês participaram da 2ª edição da compilação “Killing All the Posers” com três faixas remasterizadas de “Beware the Doom”. Acham importante esse tipo de divulgação em coletâneas, visto que existem bandas do “under” que criticam esse tipo de suporte?

Sérgio:
É importante sim! Mas, se alguém está reclamando é porque rola merda! Tem muita gente séria que se importa com a divulgação e suporte às bandas, que enxergam as coletâneas como oportunidade para as bandas, mas tem muito picareta que quer montar em cima, então tem que ficar esperto, ver como é o histórico de quem tá lançando e tudo mais, se não vai acabar quebrando a cara! Morram pilantras!

TGZ: Interessante que a Demo ainda foi lançada em k7 pelo selo francês Maltkross. Como foi feito esse maníaco contato?

Sérgio: Cara, maldita internet viu! Ele mandou uns emails e tal, ficamos meio com pé atrás de começo – afinal um cara da França interessado nuns goianos pivetes é de duvidar, mas aí o Jeremy – responsável pela Maltkross – se mostrou totalmente profissional e capaz, divulgando nossa demo em vários países além da França, mostrando que mundo afora tem muita gente que faz muito em prol do underground sem se basear no lucro, apenas na boa fé e na vontade de ver a coisa desenvolver mesmo, isso é muito foda!

TGZ: Beleza; após terem firmado contrato com o selo Kill Again fora lançado o Debut Cd intitulado “Slaughterhouse”. Explique-nos a relação do título do álbum para com as letras sangrentas das 8 faixas gravadas.

Sérgio:
As letras falam sobre as porcarias, as merdas que aprontam por aí, ou seja, o matadouro é a resposta a isso, acabar com as merdas – parte delas pelo menos hehe – com uma matança psicótica! Guerras, religiões e qualquer tipo de controle afogados em cerveja! Afinal a gente tem que falar um pouco do que gosta também não é? Bares, cervejas e muita farra fazem parte das prioridades pra gente, então nada mais normal que resolver tudo com um porre!

TGZ: Outro detalhe, a capa do álbum ficou fudida e me veio à cabeça o velho Mad Butcher do Destruction, a idéia do açougueiro na capa foi como criar o próprio “Mad Butcher” para a banda, algo assim?

Sérgio:
Pra gente não tem nada mais importante na sonoridade do que a agressividade, e nada melhor pra representar isso que um matadouro, com muito sangue e violência e uma dose cavalar de cerveja não é? Um psicótico, uma faca, uma cerveja e uma vítima! A associação com o Butcher é inevitável, pensamos até em colocar uns cabelos no cara pra não ficar lembrando (ahuahiuaeuiea), mas pra gente a imagem, a situação é que é mais representativa! O cenário, as melecas, a cerveja e tudo mais fazem junto ao matador a idéia, não é só o matador.

TGZ: As faixas estão pura pancadaria com vocal dilacerador e instrumental assassino junto a influências de bandas da velha escola do Death/Thrash Metal. Vocês pretendem fazer uma Turnê pelo país, divulgando o “Slaughterhouse”?

Sérgio:
Ia ser foda tocar Brasil afora divulgando nosso som. Estamos vendo como vai ser essa parada, mas nada confirmado ainda – apenas que vamos levar essa porcaria pra o máximo de bangers possível o mais rápido possível em 2007!

TGZ: Falando em Old School, não é novidade que há pouco tempo um “Boom” aconteceu na cena nacional e fez surgir muitas bandas tocando nessa veia; isto é muito foda (!!!), porém trouxe à tona também o pensamento de pessoas que taxam as bandas de oportunistas e modistas... O que vocês acham desses dois lados da moeda?

Sérgio:
Cara, se fazem de um jeito reclamam, de outro também reclamam: fodam-se os modismos!
Estamos fazendo o que gostamos de verdade, sem querer agradar ninguém ou ganhar público ou prestígio em cima da “onda” thrash pseudo-80 que vem aparecendo. Os pilantras não duram, os carinhas capa de revista tirando foto bonita pra falar que o thrash 80 reapareceu com uma nova cara, reformulado de acordo com a nova era e tudo mais – PAU NO CÚ!
O thrash não precisa desses porcarias sujando a cena não! Existem bandas fodidas que simplesmente se isolam desses modismos no Brasil que representam bem essa idéia, Violator, Farscape, Blasthrash, Slaver, Comando Nuclear, Wardeath, Bywar, Flagelador, Insaintification, e tantas outras que se lixam pra esses merdas que mostram a verdadeira cara do thrash nacional!

TGZ: Sou maníaco por coisas antigas como seriados, filmes, desenhos, games...E percebi que vocês também dão valor, colocaram no encarte até mesmo o logo do filme “The Goonies” (!!!). Comentem sobre preferências das antigas de vocês nesses sentidos.

Sérgio:
Velho, essa é uma fonte inesgotável de inspiração! Anos 80 são muito representativos pois não têm a carga comercial que as produções de hoje carregam (ou pelo menos têm menos). Então representam bem a nossa visão de fazer a coisa tosca, no sentido de menos exagerada, mas direta, sem frescuras e verdadeiras! Quer algo mais sem frescura que Goonies? Hahahaha!

TGZ: E é claro, citem algumas velharias clássicas em matérias de álbuns metálicos.

Sérgio:
Putz, ae é foda ... É coisa demaaaaais... mas vamos lá, 3 dos principais então. Nacional – Dorsal Atlântica – Dividir e Conquistar; Taurus – Signo de Taurus; e Sepultura (foi foda e fudeu depois hehe) – Beneath The Remains! A cena nacional sempre foi foda! A gente só continua o que esses caras ae começaram! Gringo acho que Exodus – Bonded By Blood; Tankard – Chemical Invasion (fight for your right to drink your beer!); e pra fechar cabuloso então Possessed! Seven Churches !!!
TGZ: Um tema sempre legal é falar de curiosidades alcoólicas, vocês têm muitos fatos curiosos e cômicos pra contar?

Sérgio: Esse é o tipo de pergunta que não se deve fazer pra gente! Bom, das piores (ou melhores hehe) tem a do nosso baixista que voltando de uma rodada, chapado e a pé, foi mijar e caiu pra trás no meio da rua e ali ficou... de pinto pra fora... na porta de uma escola infantil na porta da casa e tal... achado pelos vizinhos assim. Aí chega a família toda preocupada e tal gritando “Maurélio”, vê aquela rodinha de gente em volta meio que “será que morreu?”, acordam o cara, preocupados e tal, aí o picareta levanta no meio da roda e sai andando (ajeita o pinto) e vai pra casa numa boa, como se nada tivesse acontecido. Maurélio devia ser a capa do nosso cd, acho que era mais chocante! (hahahahahahahahaha)

TGZ: Como é a cena underground de Goiânia, existem muitas bandas, zines e os bangers dão suporte às produções independentes do Under?

Sérgio: Cara, Goiânia está em total crescimento underground! Muita banda boa saindo ou finalmente ganhando espaço que merece o respeito da galera underground, como Ressonância Mórfica, Terrorcorpse, Desastre, Sociofobia, WC Masculino... muitas outras. Por aqui a influência do punk/core é muito boa, muita banda que destrói! Zines destaco o Dr.Gori, regional mas que é bem foda também! Quanto aos bangers são os mais insanos possíveis, claro que tem muito porra louca também, mas logo saem fora deixando a galera que realmente quer ver a coisa desenvolver bangeando e moshando alucinadamente!

TGZ: Agora tô escutando a faixa “Kill The Nonalcoholic Cells”. Fale sobre essa letra fudida. (“...All these years with bitches and beers...”)

Sérgio: Essa fala sobre a idéia da vida “pião” que a gente leva. Somos contra os sujeitos que se preocupam demais em levar a vida direitinho, tomando cuidado pra não acontecer isso ou aquilo: queremos é que se foda! Cerveja, vagabas e qualquer tipo de coisa que rume à insanidade nos atrai. Intensidade é a palavra chave, na música queremos substituir o sangue pela cerveja, matando as células não alcoólicas, ou seja, tudo que resistir ao álcool vai ter que desaparecer – e é o que fazemos!

TGZ: Se vocês pudessem voltar no tempo pra dividir o palco com alguma banda de outrora. Em que ano seria e com qual banda compartilhariam essa emoção?

Sérgio: Um show seria o "Combat Tour 1985 – Exodus, Venom, Slayer – Studio 54!!!" Caralho aí tá quase tudo responsável pela origem de tudo que foi produzido de metal! Certamente deve ter sido uma coisa indescritível ver esses malucos juntos destruindo tudo no auge de tudo! A gente tocando nesse show é algo inimaginável, mas ... que seria foda seria! hehehe

TGZ: Ok, o ThunderGod Zine agradece pela entrevista, continuem com a sonora ‘eterna devastação’ e deixem seus recados...

Sérgio: Valeu pelo espaço Cezar e galera do TGZ, são zines como esse que representa o que é o Metal nacional! Valeu safados! Apóiem o underground nacional! Thraaaaaash!
 
 
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